Luto

O processo de luto está relacionado a perda de pessoas (entes queridos) ou situações nas quais o indivíduo vivencia algum tipo de perda (falência financeira, traição, diagnóstico de doença, etc). Seve para que o indivíduo possa elaborar e lidar com essas situações vividas.
O livro “Sobre a Morte e o Morrer” (2001), da psiquiatra suíça Elisabeth Kubler-Ross, trata do tema e enumera as cinco fases do processo de Luto.
A primeira fase é a Negação, na qual o sujeito nega a existência do problema ou da situação. Não acredita na informação recebida, tenta esquecer, não pensar.
A segunda fase é a Raiva propriamente dita daquilo que aconteceu, o indivíduo não se conforma e sente ressentimento e revolta. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc, como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê situação como uma injustiça.
A próxima etapa do Luto é a Negociação ou Barganha, onde o indivíduo tenta fazer um acordo para que as coisas voltem a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes é voltada para à religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns.
A quarta fase é a Depressão, a instrospecção diante do fato ocorrido, da perda em questão. Uma tristeza profunda invade o psiquismo, desolamento, culpa e desesperança são sentimentos gerados nessa fase. Surge uma necessidade urgente de isolamento.
A quinta e última fase é a Aceitação dos fatos, as emoções estão melhor elaboradas, menos a flor da pele, a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com esperança e força maior.
É fundamental compreender que as pessoas não vivenciam essas fases do processo de Luto de forma linear, ou seja, elas podem ir e vir, estar em uma determinada fase e regredir para a anterior, por exemplo. Podem estacionar em uma delas, ou até suplantar todas as fases de forma rápida até a Aceitação, a última fase. Há pessoas que podem passar meses ou anos num vai e vem e não chegar a aceitação nunca. Tem pessoas que em poucas horas ou dias fazem todo o processo, isso varia também em função da perda sofrida. Tudo depende do trabalho psíquico de cada um, de suas crenças e recursos emocionais.
Em minha prática clínica, é muito comum ver pessoas que estão estagnadas em uma das fases do Luto e precisam de auxílio psicológico para elaborarem as suas perdas.
Decidimos (eu, psicóloga clínica e o Dill Magno, pedagogo e terapeuta) montar um grupo de Luto, onde reunimos pessoas com vivências de perdas das mais diversas e explicamos como funcionavam as fases do luto, além de criarmos atividades para que pudessem elaborar melhor as suas perdas, troca de experiências, etc. Percebemos que os pacientes melhoraram muito ao terem um espaço para poder compartilhar as suas dores, um amparo das mesmas, onde cada integrante contava a sua história e ouvia a do outro.
A psicoterapia é indicada nesses casos de luto mal elaborado para que com a ajuda do profissional Psicólogo, no caso, o sujeito possa realizar com êxito o trabalho de luto e assim aceitar a situação vivida e superar a mesma reconhecendo as suas possibilidades e limites.

Daniela Beraha